O
artigo INCLUSÃO DIGITAL NA EJA- TRILHANDO OS CAMINHOS DA AUTONOMIA, de Silva e
Burgos (
http://www.catedraunescoeja.org/GT12/COM/COM012.pdf)
as autoras discorrem sobre aspectos importantes do uso das tecnologias na EJA a
partir de uma perspectiva freireana, a qual propõe a educação como prática
libertadora e emancipatória.
Em
primeira instância, a inserção dos equipamentos tecnológicos nessa modalidade
provoca resistência por parte da clientela adulta exatamente por que a mesma
não é só excluída digitalmente, mas também socialmente. Essa estranheza frente
à tecnologia reproduz a sociedade como se apresenta atualmente: segregada,
excludente e carente de oportunidades. Em contrapartida, os jovens, por possuem
maior afinidade com a tecnologia pois já a utilizam no seu cotidiano.
O
artigo discute também, divulgando dados de pesquisa inclusive, como a
oportunidade de acesso à tecnologia na educação brasileira ainda não se deu de
forma universalizada. E que, para tanto, a escola permita que, além do acesso,
o indivíduo possa ser capaz de pensar de forma crítica, autônoma e de produzir
também o seu conhecimento para a liberdade por meio dessas ferramentas.
Dentro
dessa perspectiva libertadora, o diálogo se faz como elemento principal na busca
pelo conhecimento. Para este, não há inovação tecnológica que supere essa
interação aluno-professor. Porém, é preciso reconhecer o caráter de emancipação
que a rede carrega em si, ao
observarmos as discussões, organizações críticas e ações mobilizadas que
ganharam visibilidade por meio da utilização da internet.
Ou
seja, é um campo de profunda reflexão. O Ambiente Virtual de Aprendizagem, por
exemplo, configura-se como uma prática colaborativa diferenciada de
aprendizagem, pois o foco está principalmente pautado no processo e na aprendizagem.
Porém, como o próprio artigo cita o pensamento da Maria Elisabeth B. de Almeida
em entrevista a Revista Nova Escola (2010) acerca da qualidade do espaço
educativo “É possível ter Educação de qualidade à distância e sem qualidade na
forma presencial, ou vice-versa. Não é a modalidade que garante a qualidade”.
Outro
ponto interessante do artigo diz respeito às construções identitária dos
sujeitos do processo de ensino-aprendizagem da Educação de Jovens e Adultos.
Quem é meu aluno? Quais os conhecimentos que ele já traz em relação à
tecnologia? Ele a utiliza para quais fins? Ele se sente motivado a utilizar a
tecnologia na escola como uns dos instrumentos que lhe proporcionará
aprendizagem? E a figura do professor? Ele tem formação suficiente para inserir
os recursos tecnológicos nas suas aulas. Ele compreende as implicações filosóficas
que essa prática demanda? Quais os objetivos da sua prática ou da sua metodologia
com o uso das TIC's? Após a aula, ele reflete sobre os êxitos ou possíveis
problemas causados pelo uso desses equipamentos no ambiente escolar? Como sua
aula poderia ser otimizada?
São
várias questões que envolvem o uso das TIC's. E as mesmas não podem ser
respondidas sem aprofundamento contínuo e necessário para a melhoria das nossas
práticas e, consequentemente, da educação como um todo.